O futuro dos Data Centers pode parecer ficção científica

O futuro dos Data Centers pode parecer ficção científica

“Spa de dados”, data centers no espaço e no fundo do mar: quais são as possíveis soluções para diminuir o impacto ambiental da IA?

O crescimento da inteligência artificial está gerando um desafio sem precedentes para a infraestrutura digital global. Com servidores exigindo cada vez mais energia e água, o modelo tradicional de data center se aproxima de um “ponto de virada”. Especialistas alertam que as instalações atuais não são mais adequadas para as metas de sustentabilidade, forçando empresas como Lenovo, Microsoft e Nvidia a explorar soluções que parecem saídas da ficção científica.

Em entrevista à CNBC, Simone Larsson, da Lenovo, aponta que o setor se aproxima de um “ponto de virada” onde as infraestruturas tradicionais não conseguirão mais atender às demandas de processamento e às metas de sustentabilidade globais. A empresa realizou o estudo “Data Center do Futuro”, em parceria com a Opinium.
Possíveis soluções
Para diminuir o impacto ambiental, novos projetos propõem uma integração simbiótica entre a tecnologia e as comunidades locais. A ideia é transformar o calor excedente dos servidores em recurso útil. Entre as propostas mais inovadoras destacam-se:
• Vilas de dados: Nas “vilas de dados”, os servidores seriam empilhados em formato modular perto de áreas urbanas, permitindo que o calor excedente dos data centers seja transferido para abastecer residências ou prédios públicos.
• “Spas” de dados: Uma ideia semelhante seria a construção de um spa ligado à data centers. O calor excedente seria usado em ambientes de bem-estar.
• Instalações Subterrâneas e Suspensas: Uso de bunkers desativados para resfriamento natural ou torres elevadas para captação solar ininterrupta.
• Resfriamento Submarino: Em 2018, a Microsoft implantou um data center semelhante a um submarino a 35 metros abaixo do nível do mar. Dessa
forma, a construção é resfriada pela a água do oceano e utiliza a energia das marés, uma fonte de energia renovável.

Data center subaquático da Microsoft

Embora alguns desses conceitos da Lenovo só devam ser viáveis daqui algumas décadas, exemplos práticos já surgem no mercado. A Equinix, em Paris, mostrou que é possível aquecer piscinas olímpicas com o “lixo térmico” dos servidores.
Nova corrida espacial
A fronteira final para o armazenamento de dados pode ser o espaço. Empresas como Google, Alibaba e Nvidia investem em projetos para colocar data centers em órbita, aproveitando a energia solar direta e evitando o consumo de recursos terrestres.

O estudo ASCEND, financiado pela União Europeia, já analisa a viabilidade de lançar centros orbitais via robótica, com missões de demonstração previstas para 2028. Apesar do entusiasmo e dos milhões de euros em investimentos privados, o alto custo de lançamento e a complexidade de manutenção ainda são barreiras significativas para que o processamento espacial se torne uma realidade em larga escala no curto prazo.

Share this post


Fale Conosco via WhatsApp

Powered by themekiller.com watchanimeonline.co